quarta-feira, 26 de maio de 2010

3 motivos para acreditar que a internet pode (e precisa!) revolucionar a educação

Revista Superinteressante (outubro de 2007)

1) A internet pode ser fonte de informação livre e constantemente aprimorada. Um exemplo disso é a Wikiversity, um projeto mantido, assim como a Wikipédia, pela Wikimedia Foundation. O objetivo é, primeiro, coletar apostilas, anotações, guias, slides e vídeos, que são publicados gratuitamente e podem ser editados por outros usuários. Segundo, ajudar comunidades a usar esse material para ensinar e aprender, por meio de guias de estudo colaborativos.
Assim como na Wikipedia, é o controle da comunidade que garante a qualidade ou a veracidade dos conteúdos da Wikiversity. Desconfiou? Que sorte a sua – você está no caminho certo! E com a vantagem de que (ao contrário do textos que você compra na xerox da facul) agora você pode editar o que estiver escrito.
Guardadas as proporções de popularidade, vale lembrar que o rigor das informações da Wikipedia já foi comparado ao da Enciclopédia Britânica por um estudo da revista Nature, em 2005.

2) A internet pode mudar a relação entre professores e alunos. Em julho desse ano, alunos da UFRJ colocaram um site no ar que reproduz o que acontece no corredor da faculdade, no grupo de e-mails das salas e até no orkut.
O Descolando é um sistema para avaliar professores. Saber se o quem dá provas complicadas, faz chamada ou cochila na sala de aula – tudo isso sem ter que aparecer por lá – não é novidade. A diferença é que, o que antes era fofoca, agora é legítimo, público e pode ajudar os professores a aprimorarem seus métodos de ensino (ou ajudar os alunos a escaparem das aulas furadas). A relação professor-aluno fica mais horizontal e mais transparente, o que pode ser muito bacana pra qualidade dos cursos.

3) A internet pode mostrar que todo mundo tem algo pra aprender e pra ensinar. Se você quer aprender mais do que ensinam na escola e na faculdade, tente a School of Everything. Quem tem o que ensinar oferece aula, quem quer aprender alguma coisa busca por professores, e o sistema ajuda todo mundo a se encontrar.
Infelizmente, ainda não existe uma "Escola de Tudo" no Brasil. Mas vale como um exemplo de que a educação pode ser pensada de um jeito mais autônomo e criativo. E, portanto, esse é mais um motivo para acreditar no potencial da internet de transformar a educação.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Você está na nuvem!

Reportagem da revista Veja (Agosto, 2009) sobre a Internet.

"A internet é onipresente na vida de bilhões de pessoas, mas poucas delas são capazes de dizer exatamente o que a define. A resposta mais rápida – ela é uma rede mundial de computadores - dá conta de apenas uma parte do fenômeno. Fica faltando definir o que é uma rede de computadores. Quando se responde a isso, chega-se perto de entender o que a internet realmente é e por que ela tem potencial para revolucionar a vida contemporânea ainda mais drasticamente do que fez até agora, menos de duas décadas depois do início de sua popularização[...].

Para ler a repotagem completa ir em:
http://www.4shared.com/get/298011638/7214344c/Veja_12ago09.html
e fazer download.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Interagindo criticamente com diversidades de opiniões

Na eminência das discussões que seguiram pós “colapso” interativo via Chat, aproveito o momento para enriquecer nossas afinidades acadêmicas acerca da interação e da compreensão de fenômenos políticos e sociais que nos são pertinentes. Como já dizia Shakespeare “a mais coisas entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia". E, tratando-se de políticas públicas para a educação, tem muitas coisas que não se explicam e se forem explicadas não entenderíamos, pois entre o discurso e a prática ainda há um abismo imensurável. O sistema de educação superior, por exemplo, a partir do PNE - Lei 10.172, de 09/01/2001, estabeleceu metas, uma delas, 30% de acesso de jovens entre 18 a 24 anos ao Ensino Superior até 2011. O MEC diz que não atingiremos, (chegamos 2010 com 14%). Por ironia do destino está sobrando vagas no Ensino Superior ofertadas pelo governo - ProUni, no sistema privado. Onde estão os alunos para o Ensino Superior? Outra ironia, em 2003 o número de acesso ao Ensino Superior superou o número de concluintes do Ensino Médio (Ristof, 2008, p. 43). Onde estão os alunos do Ensino Médio? Agora sim, as coisas estão ficando mais claras, Ensino Médio obrigatório... tem explicação?

Se cobrássemos isso das autoridades, teríamos respaldo condizente com as estatísticas que estão aí? Pois é! A EaD, uma das medidas adotadas pelo governo para democratizar o acesso a Educação Superior e alavancar os índices de acesso ao terceiro grau, é notória de muitas críticas, por vias condizentes. Mas, como pensar em qualidade e quantidade num país que investe tão pouco em educação? Onde estão os professores para dar conta dos novos Cursos e alunos decorrente do REUNI? Onde estão os professores para atuarem exclusivamente na EaD? Por que não temos ainda professores específicos para essa modalidade que vem superando o número de alunos presenciais? Por que não temos um sistema operacional que garanta uma interação com mais qualidade? Por que não temos tutores dignamente remunerados e com capacitação condizente com as suas funções? Convenhamos, na maioria dos Cursos EaD quem dá conta do recado são os tutores. Porque o professor está se “destrinchando” entre tantas outras atividades que o sistema público federal lhe impõe. E mais, por que alunos do Ensino Superior presencial ocupam cargos em troca de “bolsa salário” digno de exploração, cargos que o Estado deveria por obrigação contratar para oferecer ensino de qualidade? Quem vai nos esclarecer?

Diante disso, o que vejo são editais oferecendo Cursos e mais Cursos. Como diria minha avó, “vamos devagar com o andor porque o santo é de barro”. É certo que o acesso e a democratização do Ensino Superior de qualidade são imprescindíveis para garantir um país desenvolvido e democrático, mas vamos raciocinar, estas coisas precisam de investimentos, muito dinheiro, e ele existe! A Receita Federal teve recorde histórico na arrecadação de impostos no mês de abril/2010, a imprensa publicou. De quanto será o quinhão para a educação?

Neste momento de tensões e reflexões, vejo o esforço e dedicação de muitos professores, tutores, gestores e alunos da modalidade EaD e também da presencial para não deixar a “peteca cair”, mas não podemos ignorar que existem forças maiores que não são sensíveis a qualidade da educação, visando a mera quantidade para cumprir metas. São questões que merecem reflexões se quisermos uma educação de qualidade e democrática. Diante disso, peço que não desista do Curso caro colega Emersom, pois, precisamos dessas discussões, para juntos, construirmos uma educação melhor e um país realmente para todos. Você é importante nesse time que corresponde a uma porcentagem de 14%. Infelizmente essa é a verdade que todos devem refletir.

Prof. Valmir da Silva.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Criei essa narrativa no ano passado como participação para a pesquisa de dissertação da amiga Aline Nunes da Rosa.

A inspiração pra o trabalho vem da estética do Cyberpunk e de animações japonesas como a série Serial Experiments Lain e o curta Atama Yama (Monte Cabeça).

Creio que de algumas formas ele deixa no ar certas questões sobre o tema que estamos estudando...

Quem quiser conhecer mais trabalhos meus pode visitar meu blog e o do Coletivo (Des)Esperar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Sujeito Aparelhado


Há alguns anos o tema da cibercultura vem me inquietando, tanto em pesquisas sobre educação quanto na criação artística.
Aquilo que Couchot chama de o sujeito aparelhado (le sujet appareillé), fortemente dependente de uma máquina que realiza boa parte das operações de ver e representar.
(Arlindo Machado - O SUJEITO NO CIBERESPAÇO)

Nomeei esta cerâmica, de 2008, como O Sujeito Aparelhado, após leituras de Couchot, Lévy, Lemos, e divagando sobre a crescente proliferação de informações que, através de determinadas interfaces, podem ser colecionadas ao infinito, mas nem sempre são digeridas.

Participações

Pessoal,
Gostaria de parabenizá-los pelas excelentes participações!
Queremos a visita e a participação de todos em todos os Blogs tecendo uma grande rede de comunicação, articulando idéias e produzindo juntos conhecimento.
Boas vindas a todos a essa belíssima tecnologia.
Abraços,
Tutor Marcelo

Cyberpunk

Uma estética, um gênero literário, cinematogáfico, mas profético: Cada vez mais notamos o quanto as visões de William Gibson, Phillip K. Dick e outros não se restringiam apenas à ficção. Na introdução de seu livro Visões Perigosas: Uma Arque-Genealogia do Cyberpunk, Adriana Amaral nos proporciona uma pequena demonstração disso.

Passaram-se mais de duas décadas entre o surgimento e a “morte” do cyberpunk. Apesar do tempo, essa estética característica da cibercultura permanece em objetos comunicacionais como games, música, flyers, moda, entre outros. A fusão homem-máquina, o implante de memórias, a idéia de superação da carne pela mente, a dissolução entre real e simulação, o visual obscuro dos figurinos (a dupla couro + óculos escuros), a metrópole soturna e o estilo technoir, continuam a permear o imaginário pop. Elementos do estilo cyberpunk continuam tendo apelo cinematográfico, seja em filmes “alternativos” como Brilho Eterno de uma Mente Inquieta (Eternal Sunshine of a Spotless Mind, Michel Gondry, 2004) e Código 46 (Code 46, Michael Winterbottom, 2003) ou em blockbusters como Sin City (Frank Miller e Robert Rodrigues, 2005) e até mesmo Homem- Aranha 2 (Spider man II, Sam Raimi, 2004). Eternal Sunshine lida 14 com a idéia de intervenção tecnológica nas memórias; Código 46 trata de um mundo futurista em que a genética determina os relacionamentos amorosos; em Sin City, o visual neogótico está no figurino dos personagens principais, e Homem Aranha 2 nos apresenta ao vilão Dr. Octopus que possui braços mecânicos implantados que acabam por tomar conta do cérebro do personagem.
Em 2006, pelo menos mais dois filmes retomam as temáticas cyberpunks, indireta ou diretamente: A Scanner Darkly (Richard Linklater, 2006), mais recente adaptação da obra de Philip K. Dick expõe as contradições da vigilância em um mundo simulado e The gene generation (do diretor asiático-norte-americano Perry Reginald Teo) trata do submundo dos hackers de DNA em um futuro não muito distante, apostando as fichas no visual nipônico-dark, se autoproclamando um filme cyberpunk2. O videoclipe da trilha sonora original – “Get your body beat” da banda de electro-ebm-industrial Combichrist (e seu visual nitidamente cyberpunk) já foi disponibilizado via You Tube3 pelo próprio Perry Teo, que também dirigiu o vídeo, provando que a liberação do pólo emissor e o espírito do Faça Você Mesmo funciona como uma potente ferramenta de divulgação e marketing em tempos de ciberespaço. Todos esses filmes recebem uma carga imagética gerada pela proposta original dos cyberpunks em que a tecnologia aparece como um elemento trivial na vida cotidiana e que a comunicação humana se dá através das máquinas.
Nas ruas, assistimos ao desfile de tecnologias móveis como iPods e outros mp3 players, celulares, etc. Palavras do campo da tecnologia como download, blogs, wi-fi são reapropriadas pelas mídias e no uso cotidiano das pessoas. Partindo da premissa de que passamos de um momento de conexão para uma era de mobilidade, visualizamos as tecnologias móveis como “herdeiras” da estética provocadora do movimento cyberpunk original. Em vez de seres com implantes de chips nos cérebros, o envio de mensagens, vídeos, fotos e músicas ao toque do polegar. Ainda assim, os conceitos e a própria influência do cyberpunk nesse contexto, continuam encobertas, em uma ramificação de teorias que vão da crítica literária à sociologia, passando pelas teorias do cinema, formando assim um corpus próprio e legítimo da cibercultura. O legado do cyberpunk ainda não descansou seus ossos de silício em um cemitério qualquer e continua enviando sinais de vida pelos monitores nas mais diversas manifestações tecnológicas das comunidades no Orkut e My Space da vida aos vídeos no You Tube.
Do ciberespaço gibsoniano, agora uma noção “clássica” cyberpunk, às conexões móveis de um momento pós-cyberpunk, é preciso repensar essa trajetória estética característica da cibercultura e que se encontra presente nos atos mais comuns como acessar um extrato bancário ou enviar fotos e vídeos de um show de rock diretamente pelo celular aos amigos em outro continente. Agora que um suposto “fim do ciberespaço como nós conhecemos na década de
90” começa a ser discutido, talvez, “a rua tenha encontrado seus usos para a tecnologia”, conforme vislumbrou Gibson no princípio dos anos 80 e, para tanto, torna-se necessário revisar conceitos e rever teorias.

Adriana Amaral. Porto Alegre, agosto de 2006.


Blog da autora: http://palavrasecoisas.blogspot.com/

Alguns artigos sobre o assunto:
Visões Perigosas
Visões Perigosas (outra fonte)
Cyberpunk e Pós-modernismo
A visão cyberpunk de mundo através das lentes escuras de Matrix
Minority Report – rastreando as origens do cyberpunk
McLuhan e neuromancer: aldeia global e outros conceitos no imaginário cyberpunk
A dualidade mente e corpo na ficção-científica: de Philip K. Dick ao movimento cyberpunk