
Interagindo criticamente com diversidades de opiniões
Na eminência das discussões que seguiram pós “colapso” interativo via Chat, aproveito o momento para enriquecer nossas afinidades acadêmicas acerca da interação e da compreensão de fenômenos políticos e sociais que nos são pertinentes. Como já dizia Shakespeare “a mais coisas entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia". E, tratando-se de políticas públicas para a educação, tem muitas coisas que não se explicam e se forem explicadas não entenderíamos, pois entre o discurso e a prática ainda há um abismo imensurável. O sistema de educação superior, por exemplo, a partir do PNE - Lei 10.172, de 09/01/2001, estabeleceu metas, uma delas, 30% de acesso de jovens entre 18 a 24 anos ao Ensino Superior até 2011. O MEC diz que não atingiremos, (chegamos 2010 com 14%). Por ironia do destino está sobrando vagas no Ensino Superior ofertadas pelo governo - ProUni, no sistema privado. Onde estão os alunos para o Ensino Superior? Outra ironia, em 2003 o número de acesso ao Ensino Superior superou o número de concluintes do Ensino Médio (Ristof, 2008, p. 43). Onde estão os alunos do Ensino Médio? Agora sim, as coisas estão ficando mais claras, Ensino Médio obrigatório... tem explicação?
Se cobrássemos isso das autoridades, teríamos respaldo condizente com as estatísticas que estão aí? Pois é! A EaD, uma das medidas adotadas pelo governo para democratizar o acesso a Educação Superior e alavancar os índices de acesso ao terceiro grau, é notória de muitas críticas, por vias condizentes. Mas, como pensar em qualidade e quantidade num país que investe tão pouco em educação? Onde estão os professores para dar conta dos novos Cursos e alunos decorrente do REUNI? Onde estão os professores para atuarem exclusivamente na EaD? Por que não temos ainda professores específicos para essa modalidade que vem superando o número de alunos presenciais? Por que não temos um sistema operacional que garanta uma interação com mais qualidade? Por que não temos tutores dignamente remunerados e com capacitação condizente com as suas funções? Convenhamos, na maioria dos Cursos EaD quem dá conta do recado são os tutores. Porque o professor está se “destrinchando” entre tantas outras atividades que o sistema público federal lhe impõe. E mais, por que alunos do Ensino Superior presencial ocupam cargos em troca de “bolsa salário” digno de exploração, cargos que o Estado deveria por obrigação contratar para oferecer ensino de qualidade? Quem vai nos esclarecer?
Diante disso, o que vejo são editais oferecendo Cursos e mais Cursos. Como diria minha avó, “vamos devagar com o andor porque o santo é de barro”. É certo que o acesso e a democratização do Ensino Superior de qualidade são imprescindíveis para garantir um país desenvolvido e democrático, mas vamos raciocinar, estas coisas precisam de investimentos, muito dinheiro, e ele existe! A Receita Federal teve recorde histórico na arrecadação de impostos no mês de abril/2010, a imprensa publicou. De quanto será o quinhão para a educação?
Neste momento de tensões e reflexões, vejo o esforço e dedicação de muitos professores, tutores, gestores e alunos da modalidade EaD e também da presencial para não deixar a “peteca cair”, mas não podemos ignorar que existem forças maiores que não são sensíveis a qualidade da educação, visando a mera quantidade para cumprir metas. São questões que merecem reflexões se quisermos uma educação de qualidade e democrática. Diante disso, peço que não desista do Curso caro colega Emersom, pois, precisamos dessas discussões, para juntos, construirmos uma educação melhor e um país realmente para todos. Você é importante nesse time que corresponde a uma porcentagem de 14%. Infelizmente essa é a verdade que todos devem refletir.
Prof. Valmir da Silva.
Pois é, a gente vai construindo e desconstruindo, e em todo tipo de interação é natural o desentendimento, mas ele também pode ser a semente de grandes descobertas... Então vamos fundar o movimento "Fica Emersom"! hehe
ResponderExcluirExcelente colocação Valmir, e trata de questões que muitos não tem coragem de abordar.
ResponderExcluirRealmente esses dados são assustadores, e merece um tempo para discussão. Os cursos EaD estão crescente em gigantescas proporções, porém, como está a qualidade? Acredito que a qualidade é muito boa e, como exemplo, eu que tive formação presencial e agora faço esse curso, vejo a mudança, eu me dedico muito mais agora, busco aprender mais, tirar dúvidas, fazer leituras extra, que muitas vezes nas aulas presenciais não fazemos, por n motivos.
Porém, com a EaD acredito sim que deveria ter professores específicos para esse trabalho, não sobrecarregando os professores que atualmente atuam em cursos presenciais e a distância, além dos tutores, que se sobrecarregam de tarefas, mas que, nos dão a base para algo diferente para alguns, como sendo a primeira experiência em AVA.
Tudo é uma questão de discussão, precisamos interagir e encontrar possibilidades para que o ensino presencial não seja prejudicado e que o aluno a distância precise de mais atenção por parte dos professores e tutores.
Boa reflexão!
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