segunda-feira, 10 de maio de 2010

Vamos interagir?


“Cansado de produtos imóveis, chatos e sem graça?? Seus problemas acabaram!! Compre! É moderno! É interativo!”


No senso comum, as palavras interação, interativo vem sendo usadas, nos últimos anos, de forma indiscriminada tornando-se adjetivos que qualificam qualquer coisa que permita ao seu “usuário” algum tipo de participação. A publicidade utiliza esses termos como “chamariz” de consumidores que são seduzidos pela ideia de participação e/ou interferência nos produtos/serviços adquiridos. Virou praticamente sinônimo de tudo que é inovador, moderno e tecnológico.


“Interativo”...mas até que ponto?


Embora o adjetivo “interativo” possa vender produtos e serviços, percebe-se que a qualidade de interação possível é muito variada e nem sempre satisfatória. Máquinas e serviços pré-programados possuem um limite de “interação” também pré-definido. Um computador, por exemplo, por mais moderno e performático que possa ser continua sendo uma máquina ‘burra’, funcionando a partir de impulsos elétrico/eletrônicos. Um conjunto de instruções codificadas, chamado software, organiza as tarefas de entrada e saída de informações – denominadas input e output – e realiza o processamento dessas informações, estabelecendo com o usuário um processo de comunicação. O software, criado por profissionais de informática, exerce o papel de agente e interage com o usuário através de interfaces (telas). A facilidade, ou não, de utilização dessas telas – entre outros fatores – vão determinar o grau de interatividade entre interagente humano e computador. A liberdade dos usuários e seus movimentos interativos são direcionados por um processo mecânico, automatizado, onde as ações possíveis são meras reações já previstas pelo software.


Propaganda enganosa?


Na verdade, o termo “interação” vai além da relação “usuário”- máquina. Em qualquer situação interativa, reduzir a interação a aspectos meramente tecnológicos “é desprezar a complexidade do processo de interação mediada. É fechar os olhos para o que há além do computador” (PRIMO, 2007). Segundo Primo (1997, 1998), interação é uma “ação entre” os participantes do encontro. O foco é a relação estabelecida entre os interagentes e não entre as partes que compõem o sistema global.

O termo interação denomina o processo de adoção recíproca de papéis, o desempenho mútuo de comportamentos empáticos. Se dois indivíduos tiram inferências sobre os próprios papéis e assumem o papel um do outro ao mesmo tempo, e se o seu comportamento de comunicação depende da adoção recíproca de papéis, então eles estão em comunicação por interagirem um com o outro”. (BERLO, 1999).


Vamos interagir?




Referências:

BERLO, David K. O processo da comunicação: introdução à teoria e à prática. 9 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

PRIMO, Alex. Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura e cognição. 1 ed. Porto Alegre. Sulina, 2007.

______. Enfoques e desfoques no estudo da interação mediada por computador. 404NotFound, n. 45, 2005. Disponível em:.

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Imagem disponível em: http://img149.imageshack.us/img149/6013/tion1qr6.jpg

3 comentários:

  1. Olá, a discussão é interessante para nós que estamos no meio acadêmico, porque conseguimos expandir a discussão para uma análise mais crítica. Fico imaginando como acontece na meio onde prevalece o senso comum? Diante disso, reforço minha opinião quanto a responsabilidade e comprometimento do profissional da educação na sua prática. Me parece que as evidencias apontam par uma superficialidade no tratamento destas questões na Educação Infantil, Fundamental e Médio. Uma sociedade que não educa a partir da base, tende a enfrentar o que combatemos hoje, o fenômeno sociedade de massa e do senso comum.

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  2. Para contribuir com nossa discussão interativa retomo as discussões do fórum quando Alex Primo dá ênfase a palavra “entre” que pressupõem uma constante troca entre duas ou mais pessoas. Nesse sentido, as colocações do autor faz entender que não podemos considerar interação, no sentido educação e formação, uma relação entre sujeito e máquina, pois, ela e todo seu aparato tecnológico serve como mediador dessa interação sujeito (s) x sujeito (s). Quanto a viabilidade (negativa ou positiva) dessa interação no processo de formação EaD vai depender do entendimento desses dois pólos, quanto a interatividade mediada por computador ou pelas tecnologias. Eu compreendo como negativa a idéia do computador assumir a posição de um dos pólos na interação, quando que na verdade, ele é o meio para que possa acontecer a interação numa relação de troca de conhecimentos. Mas, nesse processo de interações, a formação, a construção do conhecimento, a emancipação, a autonomia e etc., tanto na modalidade EaD como na presencial, entre professor aluno e vice versa vai depender das concepções pedagógicas e epistemológicas que se evidenciarem nas relações “entre”. Fernando Becker (BECKER, Fernando. Epistemologia subjacente ao trabalho docente. Porto Alegre: FACED/UFRGS, 1992.) faz uma comparativa entre teorias e modelos que perpassaram nosso sistema educacional e que podem, em muitos momentos, se confirmar nas relações entre sujeitos. Como podemos observar nos quadros a baixo, dependendo da teoria e do modelo adotado e desenvolvido nessa relação entre sujeitos na educação mediada por computadores ou tecnologias, o resultado poderá ser negativo e ou positivo.

    Acredito que o computador favoreça, independente de quem o use, e dos conhecimentos que tem sobre, as interações sociais na produção ou não de conhecimentos. Porém, o sucesso de uma educação de qualidade e democrática, independe da modalidade que se aplica, está intrinsecamente ligado as teorias epistemológicas e aos modelos pedagógicos adotados pelos professores e gestores de um determinado Curso ou disciplina. Para mais informações dos quadros de Fernando Becker, pesquisem no GOOGLE o artigo completo (MODELOS PEDAGÓGICOS E MODELOS EPISTEMOLÓGICOS FERNANDO BECKER).

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  3. Valmir...tu poderia postar teu comentário em forma de post para o blog.

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